Trabalho desenvolvido por pesquisadores do PPGCEM é publicado em revista científica do grupo Nature
Metais usados em aplicações avançadas podem combinar vários elementos em uma única estrutura cristalina. Mesmo quando parecem distribuídos ao acaso, os átomos podem preferir determinados vizinhos, formando a chamada ordem química de curto alcance.
No artigo “On the nature of chemical short-range order evolution”, publicado em 21 de julho de 2026 na Nature Communications, o doutorando Guilherme Cardeal Stumpf, orientado pelo professor Francisco G. Coury no High Entropy Alloys Design Group, investigou esse fenômeno em colaboração com o grupo do MIT liderado pelo professor Rodrigo Freitas. Calorimetria, dilatometria in situ com radiação síncrotron e simulações atomísticas foram combinadas para revelar a natureza termodinâmica do processo.
Os resultados apontam que a evolução da complexidade química em uma fase cristalina não decorre de uma transição termodinâmica clássica, mas de um fenômeno de arraste cinético, semelhante ao observado na transição vítrea.
A interpretação contou com a participação do professor Edgar D. Zanotto, especialista em vidros do PPGCEM, e indica que, embora a liga permaneça cristalina, sua organização química pode ficar “congelada”, e em um estado degenerado. O trabalho amplia a compreensão sobre a estrutura e a estabilidade de ligas quimicamente complexas e contou também com a participação do professor Witor Wolf e dos pesquisadores Yifan Cao, Vinícius Bacurau e Daniel Miracle.